blog – Pire Na Industria https://pirenaindustria.com.br Pire Na Industria Mon, 02 Feb 2026 16:36:07 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://pirenaindustria.com.br/wp-content/uploads/2026/01/cropped-icone-oficial-pire-na-industria-v1-00-32x32.png blog – Pire Na Industria https://pirenaindustria.com.br 32 32 Entrevista com Bill Gates: o otimista https://pirenaindustria.com.br/2026/02/02/entrevista-com-bill-gates-o-otimista/ Mon, 02 Feb 2026 16:36:07 +0000 https://pirenaindustria.com.br/?p=227 Ao refletir sobre o encerramento da sua fundação, Gates faz seus maiores planos até o momento

Em maio, Bill Gates impôs a si mesmo um novo e ousado desafio e um prazo difícil: doar praticamente toda a sua riqueza nos próximos 20 anos e encerrar seu empreendimento filantrópico de longa data. A Fundação Gates, um dos parceiros do Rotary na Iniciativa Global de Erradicação da Pólio, já doou mais de US$100 bilhões em seus primeiros 25 anos. No entanto, para que a fundação possa encerrar suas atividades totalmente, ela precisa primeiro aumentar o ritmo, a fim de gastar mais do que o dobro desse valor antes de fechar suas portas em 31 de dezembro de 2045.

A pólio continua sendo uma prioridade. Na Convenção do Rotary International de 2025 em Calgary, Canadá, o Rotary e a Fundação Gates anunciaram um compromisso conjunto de direcionar até US$ 450 milhões, nos próximos três anos, para a erradicação da pólio, renovando sua parceria. O Rotary continuará arrecadando US$ 50 milhões por ano, e cada dólar receberá a equiparação de 2:1 da Fundação Gates.

Para saber mais sobre sua decisão, como ele vê o legado da sua fundação e o que está por vir, a revista fez algumas perguntas a Gates, que completa 70 anos neste mês. Estas são as respostas que ele enviou na íntegra.

Ao celebrar o 25º aniversário da Fundação Gates, do que você mais se orgulha?

Nos últimos 25 anos, testemunhamos e contribuímos para um progresso maior do que jamais imaginamos ser possível.

Tenho orgulho das parcerias que contribuíram para salvar vidas – não apenas a Iniciativa Global de Erradicação da Pólio, mas também o Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária e a Aliança Gavi. Graças a esses programas, o preço das inovações na área da saúde que salvam vidas – vacinas, tratamentos, mosquiteiros e diagnósticos – caiu drasticamente.

O impacto é impressionante: até o momento, essas colaborações viabilizaram a vacinação de 1,1 bilhão de crianças, ajudaram a reduzir a mortalidade infantil global pela metade e salvaram mais de 80 milhões de vidas. Centenas de milhões de pessoas saíram da pobreza e passaram a ter uma vida melhor.

Durante o processo de encerramento da sua fundação nos próximos 20 anos, onde você acha que seu dinheiro causará o maior impacto? Que obstáculos prevê?

Apesar de todo o progresso que acabei de descrever, estamos enfrentando os ventos contrários mais difíceis da história da nossa fundação. Os países estão cortando dezenas de bilhões de dólares em financiamento para o desenvolvimento global, e as consequências serão mortais. Na verdade, este será o primeiro ano do novo milênio em que o número de crianças que morrem em todo o mundo aumentará em vez de diminuir – uma tragédia inimaginável.

Precisamos que pessoas comprometidas com o progresso – como os rotarianos – posicionem-se contra esses cortes e nos ajudem a retomar o caminho do progresso.

Quanto a nós, iremos acelerar nosso trabalho nos próximos 20 anos para resolver problemas urgentes e salvar e melhorar mais vidas. Continuamos firmemente focados nas áreas em que podemos causar o maior impacto: 1) redução da mortalidade infantil, 2) erradicação ou eliminação de doenças infecciosas e 3) retirada de milhões de pessoas da pobreza e sua posterior colocação em um caminho de prosperidade.

Estamos apostando na engenhosidade humana – nos cientistas, profissionais da saúde, educadores e agricultores cujo trabalho incansável já proporcionou alguns dos ganhos mais significativos da história da humanidade. Eles não desistiram, e nós também não desistiremos.

Como você garante a sustentabilidade? 

Nosso objetivo na Fundação Gates sempre foi resolver problemas, não gerenciá-los perpetuamente. Isso significa ajudar as comunidades a desenvolver a capacidade de enfrentar os desafios encontrados. Essa será a nossa prioridade nos próximos 20 anos, e esperamos que seja a prioridade da próxima geração de filantropos que assumirão os desafios de seu tempo. 

Mais inovações continuarão dando a essas comunidades ferramentas melhores do que nunca para investir em sua própria saúde e prosperidade. Portanto, apesar dos desafios que enfrentamos, estou otimista. Os últimos 25 anos foram um dos maiores períodos de progresso humano da história, e acredito que os próximos 20 podem ser ainda mais transformadores.

Os casos do vírus selvagem da pólio aumentaram em 2024. O que faz você acreditar que a erradicação ainda é possível?

Estou mais confiante do que nunca de que o programa global da pólio acabará de vez com a doença.

O que me mantém otimista, apesar de alguns desafios, é a inovação, os trabalhadores da linha de frente e o compromisso global que impulsionam esse esforço. A vacina de última geração contra a poliomielite, a nOPV2, está ajudando a interromper os surtos, protegendo da paralisia crianças de comunidades subimunizadas. Mais de 1,6 bilhão de doses foram administradas até julho de 2025, o que representa um número incrível de crianças protegidas contra essa doença devastadora. E temos um estoque suficiente para proteger as crianças onde quer que ela surja.

Nos países onde a poliomielite selvagem continua endêmica, Afeganistão e Paquistão, o programa está operando em estreita colaboração com as autoridades locais para enfrentar os obstáculos, melhorando a coordenação entre fronteiras e fortalecendo a confiança da comunidade para que todas as crianças recebam as vacinas.

Apesar do recente aumento de casos, não devemos perder de vista o progresso mais amplo, que é realmente notável: a Iniciativa Global de Erradicação da Pólio eliminou o vírus selvagem em quase todos os países do mundo, reduzindo o número de casos de pólio em mais de 99%. Com comprometimento e colaboração contínuos, inclusive de rotarianos de todo o mundo, tenho certeza de que conseguiremos terminar o trabalho.

Como o programa da pólio está se adaptando à atual volatilidade política e econômica? Houve alguma mudança na forma como a sua fundação está trabalhando para acabar com a doença?

O programa da pólio tem um longo histórico de adaptação para acabar com a doença em alguns dos ambientes mais complexos do mundo, atuando em estreita colaboração com governos e comunidades para proteger o progresso da imunização de rotina e manter o foco na erradicação. 

Vamos usar o Paquistão como exemplo. Às vezes, as forças de segurança fornecem apoio em áreas de conflito para que os vacinadores possam fazer seu trabalho sem riscos. Porém, em áreas da província de Khyber Pakhtunkhwa, onde os conflitos têm aumentado, a presença dessas forças estava, na verdade, impedindo que as famílias se sentissem seguras o suficiente para ir ao local das vacinações. Assim, influenciadores locais entraram em ação para manter os vacinadores seguros sem precisar envolver as forças de segurança. A abordagem tem funcionado bem, e 80% das crianças estão sendo alcançadas. Será fundamental que o programa monitore essas áreas de forma independente para que possamos ter confiança nos resultados.

Hoje, em meio a prioridades de saúde concorrentes e pressões políticas e financeiras crescentes, sabemos que temos desafios difíceis pela frente. Alguns dos principais doadores estão reduzindo o apoio à saúde global, mas novos doadores também estão fazendo contribuições, o que é muito importante neste momento. E continuamos nos adaptando como sempre, mantendo o foco no que funciona e usando recursos financeiros e humanos onde eles tenham o maior impacto para acabar de vez com a pólio.

Qual a maior lição que você aprendeu durante o tempo em que vem trabalhando com a erradicação da pólio?

O progresso depende de uma colaboração incansável. O sucesso só é possível quando agentes de saúde, funcionários do governo, parceiros e doadores – inclusive o Rotary – trabalham juntos para levar as vacinas às crianças, mesmo nas áreas de mais difícil acesso do mundo.  

Observamos o poder desse tipo de colaboração recentemente em Madagascar, durante um surto da variante do poliovírus. O governo entrou em cena com uma forte liderança política para deter a disseminação; parceiros comunitários trabalharam rapidamente para fortalecer as campanhas de vacinação; e parceiros internacionais, como o Unicef e a Organização Mundial da Saúde, aumentaram o apoio para impulsionar esses esforços. Todos trabalharam para proteger as crianças com vacinas em algumas das regiões mais distantes e isoladas do país, e conseguiram interromper o surto.

Para acabar de vez com a pólio, precisamos de mais colaborações como essa, sempre e onde quer que a doença continue a surgir. O papel dos associados do Rotary como defensores da causa e líderes cívicos é fundamental para garantir que a erradicação da pólio continue sendo uma prioridade global.

Leia na íntegra em: Rotary Internacional

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